Início » Paraplégica recebe polilaminina e renova esperança de voltar a andar
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Um procedimento inédito foi realizado na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros na manhã de domingo, 5 de julho. Uma jovem boliviana de 20 anos, que ficou paraplégica após sofrer um acidente doméstico em Vargem Grande do Sul (SP), recebeu a aplicação da substância experimental Polilaminina.
A paciente, que estava em viagem ao Brasil quando ocorreu o acidente, permanece internada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no hospital de São João da Boa Vista, referência em neurocirurgia.
O procedimento foi realizado pelo médico neurocirurgião Dr. Bruno Côrtes, que veio do Rio de Janeiro (RJ). A aplicação do produto foi acompanhada pelo neurocirurgião Dr. Antonio Baroni e pela equipe do centro cirúrgico da Santa Casa.
Côrtes esclareceu que a Polilaminina, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atua como um suporte para favorecer a regeneração das conexões nervosas lesionadas.
“Esse é um procedimento para traumatismo de coluna para lesões neurológicas completas. A gente tem uma substância chamada polilaminina, que é uma proteína que o nosso organismo já tem. Essa proteína funciona como se fosse um trilho no crescimento do neurônio. O nosso neurônio cresce, só que ele não consegue avançar porque no tecido nervoso adulto não existe a laminina. Então, a gente vai injetar a laminina polimerizada para dar um trilho, um caminho para o neurônio crescer e tentar se reconectar e haver uma melhora neurológica. E depois vai se seguir uma fisioterapia intensa”, explicou o médico.
Os critérios de elegibilidade para o tratamento são definidos exclusivamente pelos pesquisadores. A Santa Casa não participa dessa seleção e, por isso, não determina quem pode ou não ser incluído. As informações da paciente apenas foram enviadas aos pesquisadores e o caso foi aceito para o tratamento.
Tempo de pesquisa
O desenvolvimento da Polilaminina começou há mais de 20 anos, sob a coordenação da professora Dra. Tatiana Coelho Sampaio e sua equipe na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2018, o Laboratório Cristália, detentor do produto, conheceu a pesquisa e, três anos depois, firmou parceria com a universidade para viabilizar o desenvolvimento e a produção da substância em maior escala.
Acerca das perspectivas de recuperação da jovem boliviana internada na Santa Casa, o neurocirurgião apontou resultados observados pelo grupo de pesquisa.
“A gente tem um estudo mundial, uma meta-análise de mil pacientes com lesão completa e lesão incompleta com 6,5% de melhora espontânea. O nosso grupo de estudo, que compreende mais ou menos 100 pacientes, está entre 70% e 75% de melhora. Então, a gente saltou de 6,5% para 70% de melhora”, esclareceu Côrtes.
Apesar dos resultados iniciais, a Polilaminina ainda é uma substância experimental e cada paciente pode responder de forma diferente ao tratamento.
Momento histórico para a Santa Casa
O provedor Marcio Franciolli reforça que a realização do procedimento representa um marco para o hospital.
“Esperamos que esse tratamento traga uma nova oportunidade para essa jovem recuperar seus movimentos. É um momento histórico para a Santa Casa. Agradeço a toda equipe do Dr. Bruno Côrtes, equipe da Santa Casa, Dr. Antonio Baroni, Dr. João Buçard, Dra. Patrícia, Cíntia Mometti, Messa Oliveira e Laboratório Cristália. Deus permita que essa jovem volte a andar”, finalizou Franciolli.
